Com o passar dos tempos, dos anos, dos séculos, o termo "herói" vulgarizou-se. Actualmente, não partilho muito da definição e utilização do termo, precisamente por se ter vulgarizado; mas acredito que existiram alguns "heróis" - ou homens/mulheres com H (grande), se preferirem - que se distinguiram na história mundial e nacional; como estamos a comemorar os 30 anos do 25 de Abril, relembro aqui um, dos poucos, "meus heróis". Trata-se do capitão Salgueiro Maia, um dos "revoltosos" da "Revolução de Abril", cuja acção se destacou por ter comandado, no dia 25 de Abril de 1974, uma coluna militar, de Santarém a Lisboa, onde ocupou o Terreiro do Paço e o Quartel do Carmo, uma das acções que resultaram na queda do Governo ditatorial da época;
O capitão Maia - como era conhecido - nasceu em 1944, em Castelo de Vide. Mais tarde estudou em Tomar e em Leiria (a minha cidade Natal). Em 1966 entrou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, seguindo-se as incursões de combate na Guiné e em Moçambique, resultado da "Guerra Colonial".
Depois do 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia nunca aceitou qualquer cargo político, a contrário de outros "aclamados heróis" da "Revolução dos Cravos". O capitão Maia morreu a 3 de Abril de 1992, portanto, há 12 anos, em Santarém, a cidade de onde partiu para, talvez, a "maior aventura" da sua vida, também ela responsável pela liberdade com que escrevo agora. Obrigado,...Liberdade!
Este é o último "post" que escrevo sobre os 30 anos do 25 de Abril, e termino-o com a letra de uma música – uma das minhas preferidas – que ficou associada àquele momento da nossa história, dado que foi uma das "senhas" da "Revolução"; trata-se do tema "E Depois do Adeus", interpretado por Paulo de Carvalho, com música de José Calvário e letra de José Niza - venceu o festival da canção de 1974, o primeiro pós-"Revolução dos Cravos":
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós
Nota: José (Zeca) Afonso foi outro cantor, músico e compositor que ficou associado à época de "luta pela liberdade"; conheça-o um pouco mais aqui.
segunda-feira, abril 26, 2004
Os "cortes e a tesoura" da Censura
Como já aqui escrevi uma vez, foi nos meus 18 anos que descobri que queria ser jornalista. Decidi-o na altura em que frequentava a disciplina de Jornalismo no Ensino Secundário, e essa convicção fortaleceu-se quando fiz um trabalho sobre a "Censura na Imprensa Portuguesa", o qual me valeu 18 valores; mais tarde, tive a oportunidade de aprofundar bastante o tema, ao realizar um outro trabalho para uma disciplina da licenciatura em Jornalismo.
Ora, como aquele trabalho está associado a uma data que presentemente estamos a comemorar, publico aqui um pequeno excerto daquele trabalho, e que retrata bem o que ganhámos, todos (jornalistas, comunicadores e cidadãos), com a "Revolução de Abril", pois o que se segue é um pequeno, mas real, retrato do "corte e da tesoura" da censura a que estivemos condicionados; com isto, quero também homenagear os jornalistas que durante os 40 anos que antecederam o 25 de Abril lutaram contra a censura e pela liberdade de imprensa:
«Os Segredos da Censura», de César Príncipe (alguns extractos de um arquivo de ordens de Censura do «Jornal de Noticias, recolhidos durante o Estado Novo) :
. Circular nº 10/67: «Confirmando a comunicação feita pelo telefone, ontem à noite, comunico a V. Ex. que devem ser presentes a esta Comissão de Censura as provas da notícia que se refira à chegada a Portugal de Monsenhor Macchi da Secretaria de Estado do Vaticano. A BEM DA NAÇÃO». (28-2-67)
. «O ministro dos Negócios Estrangeiros (*) presidiu à sessão da Sociedade de Geografia sobre o "Dia da Comunidade". Encerrou a sessão, mas não podem dar as palavras dele. Falou de improviso e ele não gosta que dêem os discursos Quando é assim. Muita cautela.» (23-4-67)
. «Fornecimento de tecidos a Força Aérea, sem Concurso - CORTAR.» (4-5-67)
. «Títulos chocantes e alarmantes. Por exemplo 30 000 crianças mortas de fome na Bolívia. - CORTAR.» (26-6-67)
. «Declaração do Dr. Marcelo Caetano aos jornalistas - CORTAR. Expulsão de dois jornalistas suecos - CORTAR.» (26-9-68)
. «Não dar relevo aos títulos dos telegramas sobre greves de operários e estudantes.» (5-12-68)
. «Universitárias varrem a Faculdade de Letras de Lisboa - CORTAR.» (7-12-68)
. «Telegrama 140, da Reuter. Não aludir, no título, ao Partido Comunista Português, pois é coisa que não existe.» (25-10-68)
. «Reuter (de Paris). Fala na utilização da pílula. Não falar em pílula, no título.» (4-2-69)
. «(..) Um rapaz e uma rapariga fugiram de casa. Quanto à residência da rapariga - não dizer que ela mora na barraca nº1527.» (5-5-69)
. «Tourada à antiga portuguesa a realizar na Rússia - CORTAR.» (12-8-69)
. «Navio Cunene - não se pode dizer no título, que foi construído na Polónia.» (22-12-69)
. «Na posse do 2.º comandante da PSP de Lisboa - disse-se que ele já fez três comissões de serviço no Ultramar, a primeira "logo na eclosão da guerra". Ora, não há guerra. Não se pode dizer isso. Deve ter sido confusão do repórter...» (12-1-70)
. «O bispo do Porto destacou a vantagem de nos voltarmos para a Europa". Só pode ser assim: "O bispo do Porto em Penafiel". No texto é CORTADO tudo o que seja política, visto que um bispo não tem de falar em política.» (2-7-70)
. «Nada de fotos sensacionalistas do funeral do Dr. Salazar, isto é, que mostrem a D. Maria a beijar o morto. (...) Em Coimbra havia muita gente na estação. Não dizer que isso foi devido a ter fechado o comércio.» (30-7-70)
. «(...) Morte de Georg Lukacs. Não pôr, em título, filósofo marxista. Filósofo pode sair, marxista não.» (5-6-71)
. «Título da Assembleia Nacional CORTADO: "Há mais de 40 anos que Portugal espera a Lei de Imprensa".» (27-7-71)
. «Chama-se de novo a atenção para o artigo 101, do decreto-lei 150/72: "Nos textos ou imagens publicados não é consentida qualquer referência ou indicação de que foram submetidos a Exame Prévio.» (2-6-72)
. «No Parque Eduardo VII, em Lisboa, numa rusga policial, foram presos 24 indivíduos - vadios, prostitutas e homossexuais. Pode-se falar-nos vadios e nas prostitutas, mas não nos homossexuais.» (12-8-72)
. «(...) Projecto do Código Deontológico dos jornalistas - CORTAR.» (5-1-73)
. «Palma Inácio - CORTAR pormenores da prisão, tais como: "algemado de mãos e pés". (...)» (29-11-73)
. «Absolvição do director e redactores do Expresso - MANDAR. A absolvição pode dar-se, mas não as considerações do juiz a justificar a decisão. ISTO é para CORTAR.» (13-2-74)
. «CIRCULAR: Para os devidos efeitos, elucido V. Ex. de que todas as notícias de sessões públicas de qualquer índole devem, sem excepção, ser submetidas a exame prévio. A BEM DA NAÇÃO.» (18-4-74)
(...)».
Ora, como aquele trabalho está associado a uma data que presentemente estamos a comemorar, publico aqui um pequeno excerto daquele trabalho, e que retrata bem o que ganhámos, todos (jornalistas, comunicadores e cidadãos), com a "Revolução de Abril", pois o que se segue é um pequeno, mas real, retrato do "corte e da tesoura" da censura a que estivemos condicionados; com isto, quero também homenagear os jornalistas que durante os 40 anos que antecederam o 25 de Abril lutaram contra a censura e pela liberdade de imprensa:
«Os Segredos da Censura», de César Príncipe (alguns extractos de um arquivo de ordens de Censura do «Jornal de Noticias, recolhidos durante o Estado Novo) :
. Circular nº 10/67: «Confirmando a comunicação feita pelo telefone, ontem à noite, comunico a V. Ex. que devem ser presentes a esta Comissão de Censura as provas da notícia que se refira à chegada a Portugal de Monsenhor Macchi da Secretaria de Estado do Vaticano. A BEM DA NAÇÃO». (28-2-67)
. «O ministro dos Negócios Estrangeiros (*) presidiu à sessão da Sociedade de Geografia sobre o "Dia da Comunidade". Encerrou a sessão, mas não podem dar as palavras dele. Falou de improviso e ele não gosta que dêem os discursos Quando é assim. Muita cautela.» (23-4-67)
. «Fornecimento de tecidos a Força Aérea, sem Concurso - CORTAR.» (4-5-67)
. «Títulos chocantes e alarmantes. Por exemplo 30 000 crianças mortas de fome na Bolívia. - CORTAR.» (26-6-67)
. «Declaração do Dr. Marcelo Caetano aos jornalistas - CORTAR. Expulsão de dois jornalistas suecos - CORTAR.» (26-9-68)
. «Não dar relevo aos títulos dos telegramas sobre greves de operários e estudantes.» (5-12-68)
. «Universitárias varrem a Faculdade de Letras de Lisboa - CORTAR.» (7-12-68)
. «Telegrama 140, da Reuter. Não aludir, no título, ao Partido Comunista Português, pois é coisa que não existe.» (25-10-68)
. «Reuter (de Paris). Fala na utilização da pílula. Não falar em pílula, no título.» (4-2-69)
. «(..) Um rapaz e uma rapariga fugiram de casa. Quanto à residência da rapariga - não dizer que ela mora na barraca nº1527.» (5-5-69)
. «Tourada à antiga portuguesa a realizar na Rússia - CORTAR.» (12-8-69)
. «Navio Cunene - não se pode dizer no título, que foi construído na Polónia.» (22-12-69)
. «Na posse do 2.º comandante da PSP de Lisboa - disse-se que ele já fez três comissões de serviço no Ultramar, a primeira "logo na eclosão da guerra". Ora, não há guerra. Não se pode dizer isso. Deve ter sido confusão do repórter...» (12-1-70)
. «O bispo do Porto destacou a vantagem de nos voltarmos para a Europa". Só pode ser assim: "O bispo do Porto em Penafiel". No texto é CORTADO tudo o que seja política, visto que um bispo não tem de falar em política.» (2-7-70)
. «Nada de fotos sensacionalistas do funeral do Dr. Salazar, isto é, que mostrem a D. Maria a beijar o morto. (...) Em Coimbra havia muita gente na estação. Não dizer que isso foi devido a ter fechado o comércio.» (30-7-70)
. «(...) Morte de Georg Lukacs. Não pôr, em título, filósofo marxista. Filósofo pode sair, marxista não.» (5-6-71)
. «Título da Assembleia Nacional CORTADO: "Há mais de 40 anos que Portugal espera a Lei de Imprensa".» (27-7-71)
. «Chama-se de novo a atenção para o artigo 101, do decreto-lei 150/72: "Nos textos ou imagens publicados não é consentida qualquer referência ou indicação de que foram submetidos a Exame Prévio.» (2-6-72)
. «No Parque Eduardo VII, em Lisboa, numa rusga policial, foram presos 24 indivíduos - vadios, prostitutas e homossexuais. Pode-se falar-nos vadios e nas prostitutas, mas não nos homossexuais.» (12-8-72)
. «(...) Projecto do Código Deontológico dos jornalistas - CORTAR.» (5-1-73)
. «Palma Inácio - CORTAR pormenores da prisão, tais como: "algemado de mãos e pés". (...)» (29-11-73)
. «Absolvição do director e redactores do Expresso - MANDAR. A absolvição pode dar-se, mas não as considerações do juiz a justificar a decisão. ISTO é para CORTAR.» (13-2-74)
. «CIRCULAR: Para os devidos efeitos, elucido V. Ex. de que todas as notícias de sessões públicas de qualquer índole devem, sem excepção, ser submetidas a exame prévio. A BEM DA NAÇÃO.» (18-4-74)
(...)».
domingo, abril 25, 2004
Uma "boa" Visão dos 30 anos do 25 de Abril
As últimas duas edições da revista Visão trouxeram para as bancas, sem termos de pagar um tostão a mais, dois trabalhos sobre a "Revolução dos Cravos". O primeiro desses trabalhos, intitulado "Os Dias da Liberdade" - Especial 30 Anos 25 de Abril, é um verdadeiro trabalho sobre parte da "nossa" história; dos antecedentes do 25 de Abril, passando pela Guerra Colonial, os passos, hora a hora, da "Revolução", fotografias, e a comparação do Portugal de 1974 e o da actualidade resume as 84 páginas daquela edição, que traz ainda um texto inédito de José (Zeca) Afonso e um artigo de Mário Soares; vale a pena ler!
A outra publicação da Visão, uma edição do passado dia 22 de Abril, é um caderno de 36 páginas com "As fotos de Sebastião Salgado". Segundo a Visão, algumas das fotografias "são inéditas em álbum" e foram obtidas no nosso país por aquele fotógrafo brasileiro, nos anos de 1974 e 1975; também recomendo, sobretudo para aqueles que gostam de fotojornalismo.
Não posso também deixar de destacar a última edição da revista "Única", uma publicação do semanário Expresso, que nos traz "Outras histórias dos anos da revolução", traduzindo-se, como é habitual do Expresso, num excelente trabalho jornalístico, onde não faltam as fotografias de alguns dos momentos que marcaram o virar de uma das páginas da história de Portugal, talvez, a mais importante do século XX.
Neste contexto, destaco ainda um jogo lúdico, lançado, pela primeira vez em Portugal, pelo mesmo semanário, sobre o 25 de Abril; pena que seja uma edição limitada. Tive a oportunidade de passar parte da tarde de hoje (domingo, 25 de Abril) a jogar, e, para além de me ter divertido imenso, considero que se trata de um jogo muito educacional e cultural, que nos leva a "(re)visitar" parte da nossa história, mas, mais do que isso, a aprender mais sobre o que foi o 25 de Abril; aconselho a todas as famílias portugueses, e, por isso, espero que o Expresso tenha a oportunidade de o vir a colocar à venda.
Nota: a última edição do Expresso trouxe-nos, pela primeira vez com aquele semanário, a revista desportiva "Doze"; penso que é o que faltava para que o jornal abrangesse ainda melhor todo o tipo de informação, neste caso, a desportiva; o processo "Apito Dourado" e um trabalho sobre o número 10 da Selecção, Rui Costa, são alguns dos destaques deste magazine.
A outra publicação da Visão, uma edição do passado dia 22 de Abril, é um caderno de 36 páginas com "As fotos de Sebastião Salgado". Segundo a Visão, algumas das fotografias "são inéditas em álbum" e foram obtidas no nosso país por aquele fotógrafo brasileiro, nos anos de 1974 e 1975; também recomendo, sobretudo para aqueles que gostam de fotojornalismo.
Não posso também deixar de destacar a última edição da revista "Única", uma publicação do semanário Expresso, que nos traz "Outras histórias dos anos da revolução", traduzindo-se, como é habitual do Expresso, num excelente trabalho jornalístico, onde não faltam as fotografias de alguns dos momentos que marcaram o virar de uma das páginas da história de Portugal, talvez, a mais importante do século XX.
Neste contexto, destaco ainda um jogo lúdico, lançado, pela primeira vez em Portugal, pelo mesmo semanário, sobre o 25 de Abril; pena que seja uma edição limitada. Tive a oportunidade de passar parte da tarde de hoje (domingo, 25 de Abril) a jogar, e, para além de me ter divertido imenso, considero que se trata de um jogo muito educacional e cultural, que nos leva a "(re)visitar" parte da nossa história, mas, mais do que isso, a aprender mais sobre o que foi o 25 de Abril; aconselho a todas as famílias portugueses, e, por isso, espero que o Expresso tenha a oportunidade de o vir a colocar à venda.
Nota: a última edição do Expresso trouxe-nos, pela primeira vez com aquele semanário, a revista desportiva "Doze"; penso que é o que faltava para que o jornal abrangesse ainda melhor todo o tipo de informação, neste caso, a desportiva; o processo "Apito Dourado" e um trabalho sobre o número 10 da Selecção, Rui Costa, são alguns dos destaques deste magazine.
sábado, abril 24, 2004
Mudem o código deontológico dos jornalistas!
Não é a primeira vez que abordo aqui este assunto. Isto é: a informação televisiva confunde-se algumas vezes (e cada vez mais) com entretenimento e "espectáculo" em directo. Não se trata, como alguém chamou na altura da primeira guerra no Golfo Pérsico (durante a ocupação do Iraque no Kuwait), de "informação (massiva) em directo"; vou dar-vos alguns exemplos, um deles recente:
Hoje, ao início da madrugada, quando Valentim Loureiro saiu em liberdade do Tribunal de Gondomar, vários órgãos, senão todos, da comunicação social nacional, aguardavam no exterior por conseguir algumas palavras do "major", aliás, como seria de esperar. Até aqui tudo bem. E, claro está, sucederam-se os directos televisivos; o mesmo aconteceu minutos depois, com a chegada de Valentim Loureiro à sua residência; à sua espera estavam mais alguns jornalistas (não tantos como minutos antes), na "ânsia", compreensiva e legítima, de obter mais algumas palavras do mesmo interlocutor; voltaram os directos, e foi através deles que os telespectadores assistiram a emoção da família do "major" com a sua chegada a casa, nomeadamente, a emoção da sua filha, que proferiu, por várias vezes, o orgulho que tinha do pai (se o contrário acontecesse é que seria de admirar);
O que quero dizer com isto, é que, se compreendo a presença dos canais de televisão, e, por consequência dos "directos", que transmitiram aquele momento de emoção, por outro lado, não compreendo porque essas imagens passaram vezes sem contas ao logo do dia nas televisões portuguesas; que informação trouxeram aquelas imagens ao telespectador? Uma coisa é a sua transmissão em directo, outra é voltarem aos ecrãs vezes sem conta, visto que, aquilo não é informação, mas sim "espectáculo televisivo"; e, atenção, eu sou um comunicador, mas também um telespectador, e, tal como eu, muitos outros telespectadores fazem a mesma análise; eu conheço alguns! Mais uma vez, demos um passo atrás na (des)informação!
Outro exemplo que não resisto escrever aqui, e que também foi alvo de alguma controvérsia, foram as imagens, diga-se "violentas", transmitidas sobre a ameaça de raptores a cidadãos japoneses, no Iraque, há mais de dez dias; não sou um "censor" da imagem, mas há limites (tem de haver!) na informação; que ficou o telespectador a saber, a conhecer, a mais, com a transmissão de imagens que mostravam facas apontadas aos cidadãos, cujos rostos eram perfeitamente identificados nas imagens? Não estiveram os "jornalistas/comunicadores" envolvidos na captação daquelas imagens a fazer o jogo dos raptores? É preciso, de uma vez por todas, pensar nisto, caso contrário, mudem o código deontológico dos jornalistas, porque ele é, cada vez mais, menos respeitado! Mas se assim acontecer, não quero mais ser jornalista!
Hoje, ao início da madrugada, quando Valentim Loureiro saiu em liberdade do Tribunal de Gondomar, vários órgãos, senão todos, da comunicação social nacional, aguardavam no exterior por conseguir algumas palavras do "major", aliás, como seria de esperar. Até aqui tudo bem. E, claro está, sucederam-se os directos televisivos; o mesmo aconteceu minutos depois, com a chegada de Valentim Loureiro à sua residência; à sua espera estavam mais alguns jornalistas (não tantos como minutos antes), na "ânsia", compreensiva e legítima, de obter mais algumas palavras do mesmo interlocutor; voltaram os directos, e foi através deles que os telespectadores assistiram a emoção da família do "major" com a sua chegada a casa, nomeadamente, a emoção da sua filha, que proferiu, por várias vezes, o orgulho que tinha do pai (se o contrário acontecesse é que seria de admirar);
O que quero dizer com isto, é que, se compreendo a presença dos canais de televisão, e, por consequência dos "directos", que transmitiram aquele momento de emoção, por outro lado, não compreendo porque essas imagens passaram vezes sem contas ao logo do dia nas televisões portuguesas; que informação trouxeram aquelas imagens ao telespectador? Uma coisa é a sua transmissão em directo, outra é voltarem aos ecrãs vezes sem conta, visto que, aquilo não é informação, mas sim "espectáculo televisivo"; e, atenção, eu sou um comunicador, mas também um telespectador, e, tal como eu, muitos outros telespectadores fazem a mesma análise; eu conheço alguns! Mais uma vez, demos um passo atrás na (des)informação!
Outro exemplo que não resisto escrever aqui, e que também foi alvo de alguma controvérsia, foram as imagens, diga-se "violentas", transmitidas sobre a ameaça de raptores a cidadãos japoneses, no Iraque, há mais de dez dias; não sou um "censor" da imagem, mas há limites (tem de haver!) na informação; que ficou o telespectador a saber, a conhecer, a mais, com a transmissão de imagens que mostravam facas apontadas aos cidadãos, cujos rostos eram perfeitamente identificados nas imagens? Não estiveram os "jornalistas/comunicadores" envolvidos na captação daquelas imagens a fazer o jogo dos raptores? É preciso, de uma vez por todas, pensar nisto, caso contrário, mudem o código deontológico dos jornalistas, porque ele é, cada vez mais, menos respeitado! Mas se assim acontecer, não quero mais ser jornalista!
quinta-feira, abril 15, 2004
Nasceu jornal de negócios regional
"Prime Negócios". Assim se chama o novo jornal de economia do País, o primeiro do género com cobertura regional, neste caso, como uma área de influência geográfica em seis distritos da região Centro. São eles: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu: A redacção desta publicação mensal está localizada em Leiria, e a primeira edição (número zero) foi para as bancas no passado dia 7 de Abril, a primeira quarta-feira do corrente mês, assim como acontecerá em todas as primeiras quartas-feiras de cada mês.
Na primeira edição, o jornal faz "manchete" de uma entrevista ao ex-ministro da economia Pina-Moura, que afirma àquele mensário que «não há margem para baixar impostos».
O jornal é dirigido pelo jornalista leiriense António José Laranjeira e o preço de venda em banca é de 2 euros.
Na primeira edição, o jornal faz "manchete" de uma entrevista ao ex-ministro da economia Pina-Moura, que afirma àquele mensário que «não há margem para baixar impostos».
O jornal é dirigido pelo jornalista leiriense António José Laranjeira e o preço de venda em banca é de 2 euros.
Acreditação de jornalistas para o “Rock in Rio-Lisboa”
Recebi o e-mail abaixo que é do interesse de jornalistas e fotógrafos:
«De forma a garantir o correcto controlo dos dados, os pedidos de credenciação de jornalistas para o Rock in Rio-Lisboa serão centralizados através do site oficial. Todos os jornalistas e/ou órgãos de comunicação social interessados em fazer a cobertura noticiosa do evento deverão aceder a www.rockinrio-lisboa.sapo.pt e entrar na área reservada à imprensa. O período para solicitação das credenciações termina a 30 de Abril de 2004. Por questões de segurança, as credenciais serão personalizadas. Devido ao número limitado de credenciais a atribuir à imprensa, cada pedido será analisado separadamente pela assessoria de imprensa e organização do festival que definirão quais os jornalistas/ órgãos de comunicação social a credenciar.
Como fazer a acreditação:
Ao entrar na área de "Imprensa", basta clicar em "Acreditação" e terão acesso a um formulário que deverão preencher. De forma a garantir credibilidade da informação, os pedidos deverão anexar (através do browse) os documentos solicitados no formulário (cópia digitalizada da carteira profissional de jornalista, do bilhete de identidade e declaração do órgão de comunicação social para o qual pretendem realizar o trabalho). Todos aqueles que solicitaram acreditação para o Rock in Rio-Lisboa serão contactados através do e-mail que registaram no formulário aquando do pedido até ao dia 14 de Maio com a resposta ao seu pedido. Nesse e-mail irão também constar todas as informações para o levantamento das credenciais e do Manual do Jornalista, com as normas de utilização da Sala de Imprensa e regras para a cobertura noticiosa do evento.
Para mais informações ou para esclarecer quaisquer dúvidas sobre este processo, não hesitem em contactar (Em Portugal):
Bairro Alto - 21 466 65 00; Catarina Amorim (camorim@balto.pt) ou Sofia Lareiro (lareiro@balto.pt)
Sofia Lareiro - Gestora de Comunicação; lareiro@balto.pt
Bairro Alto, Consultores de Comunicação, SA
Rua Dr. Manuel de Arriaga, nº1; 2765-244 Estoril; Tel.: + 351 21 466 65 00; Fax: + 351 21 466 65 19; www.balto.pt
.»
«De forma a garantir o correcto controlo dos dados, os pedidos de credenciação de jornalistas para o Rock in Rio-Lisboa serão centralizados através do site oficial. Todos os jornalistas e/ou órgãos de comunicação social interessados em fazer a cobertura noticiosa do evento deverão aceder a www.rockinrio-lisboa.sapo.pt e entrar na área reservada à imprensa. O período para solicitação das credenciações termina a 30 de Abril de 2004. Por questões de segurança, as credenciais serão personalizadas. Devido ao número limitado de credenciais a atribuir à imprensa, cada pedido será analisado separadamente pela assessoria de imprensa e organização do festival que definirão quais os jornalistas/ órgãos de comunicação social a credenciar.
Como fazer a acreditação:
Ao entrar na área de "Imprensa", basta clicar em "Acreditação" e terão acesso a um formulário que deverão preencher. De forma a garantir credibilidade da informação, os pedidos deverão anexar (através do browse) os documentos solicitados no formulário (cópia digitalizada da carteira profissional de jornalista, do bilhete de identidade e declaração do órgão de comunicação social para o qual pretendem realizar o trabalho). Todos aqueles que solicitaram acreditação para o Rock in Rio-Lisboa serão contactados através do e-mail que registaram no formulário aquando do pedido até ao dia 14 de Maio com a resposta ao seu pedido. Nesse e-mail irão também constar todas as informações para o levantamento das credenciais e do Manual do Jornalista, com as normas de utilização da Sala de Imprensa e regras para a cobertura noticiosa do evento.
Para mais informações ou para esclarecer quaisquer dúvidas sobre este processo, não hesitem em contactar (Em Portugal):
Bairro Alto - 21 466 65 00; Catarina Amorim (camorim@balto.pt) ou Sofia Lareiro (lareiro@balto.pt)
Sofia Lareiro - Gestora de Comunicação; lareiro@balto.pt
Bairro Alto, Consultores de Comunicação, SA
Rua Dr. Manuel de Arriaga, nº1; 2765-244 Estoril; Tel.: + 351 21 466 65 00; Fax: + 351 21 466 65 19; www.balto.pt
.»
quarta-feira, abril 14, 2004
"Pulitzer" já tem premiados
Já se sabe quem são os vencedores dos "Prémios Pulitzer" de 2004; de entre as 22 distinções (este ano 21, visto que na categoria "Feature Writing" não houve nenhum premiado), destaco a fotojornalista Carolyn Cole, do jornal "Los Angeles Times", na categoria de "Fotografia", premiada pelo trabalho realizado sobre a guerra civil na Libéria; vale a pena ver! (as fotografias estão disponíveis no mesmo site acima indicado).
domingo, abril 11, 2004
Os meios justificam os fins? A que custo e a troco de quê?
No final desta semana fui apanhado de surpresa quando li um determinado artigo num jornal regional (de concelho). A minha surpresa deveu-se àquilo a que eu classifico de falta de profissionalismo, para não dizer mesmo, mau jornalismo e falta de ética; isto porque, para meu espanto, o referido artigo, de cerca de 1.000 caracteres, resumia um outro artigo por mim publicado uns dias antes, sem fazer qualquer referência à fonte, neste caso, ao jornal onde o publiquei. Não tenho qualquer tipo de dúvida de que se trata de plágio, até porque, a notícia em questão analisava números estatísticos relacionados com um tema de saúde, os quais tive acesso através de uma fonte, que, por sua vez, os obteve através de uma associação nacional da área da saúde. O plágio é tão descarado, que há até um parágrafo, com excepção de uma ou duas palavras, igual ao por mim publicado;
Sei que, infelizmente, no nosso País casos como este não são excepção e raramente os "infractores" são punidos, por inépcia dos próprios jornalistas e das entidades que deveriam actuar nestes casos, por exemplo, a Alta Autoridade para a Comunicação Social;
É também por estas e outras situações, as quais violam o Código Deontológico dos Jornalistas, que, como já aqui escrevi, o mau é tomado pelo todo, e, como consequência, a imagem do jornalismo em Portugal é, cada vez mais, negativa para os leitores, ouvintes e telespectadores.
Acredito que isso acontece, não por não se estar a formar jovens jornalistas, – como ouvi a jornalista do Expresso Felicia Cabrita afirmar, há cerca de um mês, no programa "Clube dos Jornalistas", no canal "Dois – mas porque não pode ser jornalista ou director de um qualquer meio de comunicação quem quer, mas quem sabe, o que, infelizmente, acontece cada vez menos;
Quantos maus jornalistas estão a ocupar o lugar de bons jornalistas, cada vez mais relegados para o desemprego? E a custo de quê?
A resposta é conhecida pela maioria dos jornalistas, que, no meu entender, é uma classe profissional cada vez mais desunida, a troco, muitas vezes, daquilo a que se chama uma "boa história";
Sobre se os meios justificam os fins, o tempo o dirá!
Sei que, infelizmente, no nosso País casos como este não são excepção e raramente os "infractores" são punidos, por inépcia dos próprios jornalistas e das entidades que deveriam actuar nestes casos, por exemplo, a Alta Autoridade para a Comunicação Social;
É também por estas e outras situações, as quais violam o Código Deontológico dos Jornalistas, que, como já aqui escrevi, o mau é tomado pelo todo, e, como consequência, a imagem do jornalismo em Portugal é, cada vez mais, negativa para os leitores, ouvintes e telespectadores.
Acredito que isso acontece, não por não se estar a formar jovens jornalistas, – como ouvi a jornalista do Expresso Felicia Cabrita afirmar, há cerca de um mês, no programa "Clube dos Jornalistas", no canal "Dois – mas porque não pode ser jornalista ou director de um qualquer meio de comunicação quem quer, mas quem sabe, o que, infelizmente, acontece cada vez menos;
Quantos maus jornalistas estão a ocupar o lugar de bons jornalistas, cada vez mais relegados para o desemprego? E a custo de quê?
A resposta é conhecida pela maioria dos jornalistas, que, no meu entender, é uma classe profissional cada vez mais desunida, a troco, muitas vezes, daquilo a que se chama uma "boa história";
Sobre se os meios justificam os fins, o tempo o dirá!
A outra forma de comunicar dos jornalistas
Numa outra publicação do semanário Expresso, a revista "Actual", saiu um artigo muito interessante, na edição de 27 de Março último, sobre as "editoras que apostam no jornalismo".
Segundo o artigo publicado, de José Pedro Castanheira, «são já dez as editoras que criaram colecções sobre ciências da comunicação e jornalismo, com mais de cem títulos publicados». O texto refere que «a editora com maior número de títulos (38) é a Minerva, de Coimbra, dirigida por Mário Mesquita» (jornalista e ex-provedor dos leitores do Diário de Notícias). Aliás, o mais recente título editado por aquela editora chama-se "O Quarto Equívoco - O Poder dos Media na Sociedade Contemporânea", do próprio Mário Mesquita.
Mas há outras publicações recentes, como o livro de Carlos Fino, jornalista da RTP, que escreveu "A Guerra em Directo", que é o testemunho do que aquele profissional presenciou nos conflitos no Afeganistão e no Iraque.
Também os "blogs" não escapam a esta "onda" de novas publicações, como é exemplo o livro "Weblogs. Diário de Bordo", dos jornalistas António Granado e Elisabete Barbosa, uma edição da Porto Editora. Ainda neste capítulo, destaque para o livro "Blogs", de Paulo Querido e Luís Ene, da editora Centro Atlântico, que se assume como uma "ferramenta" essencial para aqueles que estão a dar os primeiros passos no "mundo da blogosfera", obra que não resisti a ler e que me ajudou também a iniciar-me neste tipo de comunicação.
Como já referi, são muitas as publicações sobre jornalismo e comunicação, e para os interessados por este tipo de leitura deixo os nomes das editoras e respectivas colecções onde podem encontrar os vários títulos naquela área, que é uma outra forma de comunicar dos jornalistas:
Campo das Letras (Campo dos Media); Dom Quixote (Cadernos DQ Reportagem); Livros Horizonte (Media e Jornalismo); Minerva (Comunicação; Ciências da Comunicação; Cadernos Minerva); Editorial Notícias (Media e Sociedade); Porto Editora (Comunicação); Relógio D'Água (Mediações); Temas e Debates (Biblioteca Expresso/Temas e Debates); Vega (Comunicação e Linguagens) e Verbo (Media Hoje).
Segundo o artigo publicado, de José Pedro Castanheira, «são já dez as editoras que criaram colecções sobre ciências da comunicação e jornalismo, com mais de cem títulos publicados». O texto refere que «a editora com maior número de títulos (38) é a Minerva, de Coimbra, dirigida por Mário Mesquita» (jornalista e ex-provedor dos leitores do Diário de Notícias). Aliás, o mais recente título editado por aquela editora chama-se "O Quarto Equívoco - O Poder dos Media na Sociedade Contemporânea", do próprio Mário Mesquita.
Mas há outras publicações recentes, como o livro de Carlos Fino, jornalista da RTP, que escreveu "A Guerra em Directo", que é o testemunho do que aquele profissional presenciou nos conflitos no Afeganistão e no Iraque.
Também os "blogs" não escapam a esta "onda" de novas publicações, como é exemplo o livro "Weblogs. Diário de Bordo", dos jornalistas António Granado e Elisabete Barbosa, uma edição da Porto Editora. Ainda neste capítulo, destaque para o livro "Blogs", de Paulo Querido e Luís Ene, da editora Centro Atlântico, que se assume como uma "ferramenta" essencial para aqueles que estão a dar os primeiros passos no "mundo da blogosfera", obra que não resisti a ler e que me ajudou também a iniciar-me neste tipo de comunicação.
Como já referi, são muitas as publicações sobre jornalismo e comunicação, e para os interessados por este tipo de leitura deixo os nomes das editoras e respectivas colecções onde podem encontrar os vários títulos naquela área, que é uma outra forma de comunicar dos jornalistas:
Campo das Letras (Campo dos Media); Dom Quixote (Cadernos DQ Reportagem); Livros Horizonte (Media e Jornalismo); Minerva (Comunicação; Ciências da Comunicação; Cadernos Minerva); Editorial Notícias (Media e Sociedade); Porto Editora (Comunicação); Relógio D'Água (Mediações); Temas e Debates (Biblioteca Expresso/Temas e Debates); Vega (Comunicação e Linguagens) e Verbo (Media Hoje).
O caso em que o "crime" compensa!...
Lembram-se do jornalista que se infiltrou no Palácio de Buckingham, em Inglaterra, disfarçado de criado, onde trabalhou de Outubro a Novembro de 2003, período em que o presidente dos EUA, George Bush, visitou aquele País? Pois parece que a "proeza" levou Ryan Parry, do tablóide "Daily Mirror", a receber duas distinções da British Press Awards, ou seja, os "óscares" da imprensa britânica.
O jornalista chegou a servir comida à Rainha Isabel e a preparar os quartos dos convidados, nomeadamente do presidente dos EUA. Com isto, Ryan Parry quis demonstrar a deficiente segurança que existia no Palácio, caso que provocou um escândalo naquele País.
Agora, um porta-voz de Buckingham veio a público considerar a atribuição daqueles prémios «uma vergonha», pela «falta de ética moral» daquele profissional da comunicação.
É caso para dizer que o "crime" compensa, e não me parece que haja qualquer tipo de falta de ética no trabalho realizado pelo jornalista; certamente que depois da publicação da "história", a segurança naquele Palácio nunca mais foi, ou será, a mesma, isto é, deficiente!
O jornalista chegou a servir comida à Rainha Isabel e a preparar os quartos dos convidados, nomeadamente do presidente dos EUA. Com isto, Ryan Parry quis demonstrar a deficiente segurança que existia no Palácio, caso que provocou um escândalo naquele País.
Agora, um porta-voz de Buckingham veio a público considerar a atribuição daqueles prémios «uma vergonha», pela «falta de ética moral» daquele profissional da comunicação.
É caso para dizer que o "crime" compensa, e não me parece que haja qualquer tipo de falta de ética no trabalho realizado pelo jornalista; certamente que depois da publicação da "história", a segurança naquele Palácio nunca mais foi, ou será, a mesma, isto é, deficiente!
...e o(s) caso(s) em que o crime não compensa... nunca!
A edição do passado dia 27 de Março da revista "Única", do semanário Expresso, publicou a seguinte notícia:
«Repórter forjou notícias durante 10 anos
O maior diário norte-americano, "Usa Today" (2,2 milhões de exemplares), reconheceu que Jack Kelley, repórter-estrela da secção internacional, inventou várias notícias entre 1993 e 2003. Entre os artigos falsificados contam-se o relato de um encontro com terroristas egípcios e uma entrevista com a alegada filha de um general iraquiano.
Kelley foi nomeado cinco vezes para os prémios Pulitzer. O jornalista demitiu-se em Janeiro, depois de ter obstruído a investigação do jornal a seu respeito, durante o qual foram passados a pente fino os 720 artigos que ele assinou nesses 10 anos».
...ora aqui está um bom exemplo de que "o crime não compensa!"... mas é com acções destas que, muitas vezes, se toma a parte pelo todo, ou seja, o mau substitui o bom profissionalismo, porque, infelizmente, os maus exemplos perduram no tempo... para mal de todos nós, comunicadores e jornalistas.
«Repórter forjou notícias durante 10 anos
O maior diário norte-americano, "Usa Today" (2,2 milhões de exemplares), reconheceu que Jack Kelley, repórter-estrela da secção internacional, inventou várias notícias entre 1993 e 2003. Entre os artigos falsificados contam-se o relato de um encontro com terroristas egípcios e uma entrevista com a alegada filha de um general iraquiano.
Kelley foi nomeado cinco vezes para os prémios Pulitzer. O jornalista demitiu-se em Janeiro, depois de ter obstruído a investigação do jornal a seu respeito, durante o qual foram passados a pente fino os 720 artigos que ele assinou nesses 10 anos».
...ora aqui está um bom exemplo de que "o crime não compensa!"... mas é com acções destas que, muitas vezes, se toma a parte pelo todo, ou seja, o mau substitui o bom profissionalismo, porque, infelizmente, os maus exemplos perduram no tempo... para mal de todos nós, comunicadores e jornalistas.
quarta-feira, abril 07, 2004
Novos concursos e prémios de comunicação
O "site" do Sindicato dos Jornalistas divulga novos concursos, prémios e premiados na comunicação social, alguns dos quais citados abaixo, e cujas notícias podem ser lidas na página on-line daquele sindicato, alojada em http://www.jornalistas.online.pt
«Pulitzer 2004 premeiam cobertura de conflitos
Artigos de órgãos de comunicação social dos Estados Unidos sobre as guerras do Iraque, da Libéria e do Vietname obtiveram o reconhecimento dos prémios Pulitzer 2004, divulgados a 5 de Abril. (...)».
«Prazo prolongado para Melhor Desenho Jornalístico ibérico
O prazo de inscrição para a primeira edição do concurso do Melhor Desenho Jornalístico Espanha-Portugal foi alargado até 1 de Maio de 2004, anunciou a secção espanhola da Society for News Design (SND-E). (...)».
«Prémio Orlando Gonçalves para jornalismo de investigação
As candidaturas ao Prémio Literário Orlando Gonçalves, este ano dedicado a trabalhos de jornalismo de investigação ou reportagem, estão abertas até 30 de Junho. (...)».
«Prémio UNESCO para Raúl Rivero
O jornalista cubano Raúl Rivero Castañeda recebeu o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO/Guillermo Cano 2004, como “tributo ao seu longo e corajoso compromisso para com o jornalismo independente”. (...)».
«Pulitzer 2004 premeiam cobertura de conflitos
Artigos de órgãos de comunicação social dos Estados Unidos sobre as guerras do Iraque, da Libéria e do Vietname obtiveram o reconhecimento dos prémios Pulitzer 2004, divulgados a 5 de Abril. (...)».
«Prazo prolongado para Melhor Desenho Jornalístico ibérico
O prazo de inscrição para a primeira edição do concurso do Melhor Desenho Jornalístico Espanha-Portugal foi alargado até 1 de Maio de 2004, anunciou a secção espanhola da Society for News Design (SND-E). (...)».
«Prémio Orlando Gonçalves para jornalismo de investigação
As candidaturas ao Prémio Literário Orlando Gonçalves, este ano dedicado a trabalhos de jornalismo de investigação ou reportagem, estão abertas até 30 de Junho. (...)».
«Prémio UNESCO para Raúl Rivero
O jornalista cubano Raúl Rivero Castañeda recebeu o Prémio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO/Guillermo Cano 2004, como “tributo ao seu longo e corajoso compromisso para com o jornalismo independente”. (...)».
sábado, março 20, 2004
Censura no DN?
Leiam com atenção o texto abaixo, publicado na edição de 19 de Março do jornal "Público":
«A Iniciativa: Ex-jornalista do "DN" Pede Ajuda para Publicar Carta Rejeitada pela Direcção
Sexta-feira, 19 de Março de 2004
Um antigo jornalista do "Diário de Notícias", Acácio Barradas, está a fazer uma recolha de fundos para pagar um anúncio naquele jornal onde pretende divulgar uma carta que a direcção se terá recusado a publicar no espaço de opinião.
Acácio Barradas dirigiu-se ao director do "DN" defendendo a posição da provedora do leitor, Estrela Serrano, que recentemente escreveu que muitas vezes a versão final dos textos publicados foge ao controlo dos autores e contêm alterações introduzidas pela hierarquia do jornal - situação que causaria polémica na redacção. A posição da provedora motivou uma nota da direcção, segundo a qual "essa prática" não se aplica no diário.
Na sua carta, o antigo jornalista faz duras críticas à actuação das direcções do "DN" e do conselho de redacção. O diário terá recusado a publicação da missiva justificando que o assunto que aborda "já foi encerrado pela direcção do 'DN'". Numa mensagem que fez circular pela internet, Acácio Barradas apela à colaboração com um donativo em dinheiro de modo a conseguir a verba necessária para publicar a carta como publicidade naquele jornal. Para publicar a carta em anúncio de página inteira, como à partida pretende, necessita de entre 4.600 a 6.900 euros, consoante a localização; a meio da tarde de ontem angariara 1.600. Diz que irá conseguir o dinheiro necessário e que quer resolver o assunto ainda esta semana. No entanto, mesmo como publicidade, o assunto irá ainda à aprovação do director do "DN", que terá que ouvir também o conselho de redacção. Acácio Barradas diz que não se conforma com a recusa, não pelo seu caso, "mas por saber que há muitos casos como este nos jornais".
Ouvido pelo PÚBLICO, o director do "DN", Fernando Lima, escusou-se a comentar quer a iniciativa quer a alegada recusa de publicação. "Mandou-me uma carta, o que eu tinha a dizer disse-lho num cartão que lhe mandei", afirmou apenas.».
PS: Estaremos perante um acto de censura?
«A Iniciativa: Ex-jornalista do "DN" Pede Ajuda para Publicar Carta Rejeitada pela Direcção
Sexta-feira, 19 de Março de 2004
Um antigo jornalista do "Diário de Notícias", Acácio Barradas, está a fazer uma recolha de fundos para pagar um anúncio naquele jornal onde pretende divulgar uma carta que a direcção se terá recusado a publicar no espaço de opinião.
Acácio Barradas dirigiu-se ao director do "DN" defendendo a posição da provedora do leitor, Estrela Serrano, que recentemente escreveu que muitas vezes a versão final dos textos publicados foge ao controlo dos autores e contêm alterações introduzidas pela hierarquia do jornal - situação que causaria polémica na redacção. A posição da provedora motivou uma nota da direcção, segundo a qual "essa prática" não se aplica no diário.
Na sua carta, o antigo jornalista faz duras críticas à actuação das direcções do "DN" e do conselho de redacção. O diário terá recusado a publicação da missiva justificando que o assunto que aborda "já foi encerrado pela direcção do 'DN'". Numa mensagem que fez circular pela internet, Acácio Barradas apela à colaboração com um donativo em dinheiro de modo a conseguir a verba necessária para publicar a carta como publicidade naquele jornal. Para publicar a carta em anúncio de página inteira, como à partida pretende, necessita de entre 4.600 a 6.900 euros, consoante a localização; a meio da tarde de ontem angariara 1.600. Diz que irá conseguir o dinheiro necessário e que quer resolver o assunto ainda esta semana. No entanto, mesmo como publicidade, o assunto irá ainda à aprovação do director do "DN", que terá que ouvir também o conselho de redacção. Acácio Barradas diz que não se conforma com a recusa, não pelo seu caso, "mas por saber que há muitos casos como este nos jornais".
Ouvido pelo PÚBLICO, o director do "DN", Fernando Lima, escusou-se a comentar quer a iniciativa quer a alegada recusa de publicação. "Mandou-me uma carta, o que eu tinha a dizer disse-lho num cartão que lhe mandei", afirmou apenas.».
PS: Estaremos perante um acto de censura?
sexta-feira, março 19, 2004
"Prémios" e "Concursos" para jornalistas
O site do Sindicato dos Jornalistas (www.jornalistas.online.pt) disponibiliza vária informação sobre "prémios" e "concursos" dirigidos a jornalistas (e também a fotojornalistas); eis alguns exemplos:
«Candidaturas aos Prémios Gazeta até 31 de Março
Termina a 31 de Março o prazo para a entrega de trabalhos candidatos aos Prémios Gazeta de Revelação e de Imprensa Regional, instituídos pelo Clube de Jornalistas-Press Club.
O Prémio Revelação destina-se a jornalistas com menos de 30 anos de idade e que não estejam no exercício da profissão há mais de dois anos. O Prémio Nacional de Imprensa Regional está aberto a todos os órgãos de comunicação regionais cuja periodicidade seja pelo menos quinzenal. (...)».
«Prémio Orlando Gonçalves para jornalismo de investigação
As candidaturas ao Prémio Literário Orlando Gonçalves, este ano dedicado a trabalhos de jornalismo de investigação ou reportagem, estão abertas até 30 de Junho.
Tal como nos anos anteriores, a sétima edição do Prémio Literário Orlando Gonçalves visa incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa.
Cada autor pode concorrer com vários trabalhos, obrigatoriamente escritos em língua portuguesa, devendo os mesmos ser apresentados separadamente e com pseudónimos diferentes. É obrigatória a apresentação da carteira profissional de jornalista para admissão a concurso. (...)».
«Prémio distingue jornalistas corajosas
A International Women’s Media Foundation (IWMF) está a procurar nomeações para os seus galardões, o Prémio Coragem no Jornalismo e o Prémio Carreira de 2004. Os prémios visam distinguir apenas jornalistas do sexo feminino e serão entregues numa cerimónia a realizar em Outubro.
O Prémio Coragem no Jornalismo homenageia mulheres que tenham demonstrado uma excepcional força de carácter para prosseguir o seu trabalho em circunstâncias perigosas: sob pressão política, terror psicológico e outros obstáculos intimidantes.
Para este prémio são escolhidas três mulheres, que recebem uma escultura símbolo de liberdade e coragem e também um prémio monetário. (...)».
Nota: para mais informações visite a página "on-line" do Sindicato dos Jornalistas.
«Candidaturas aos Prémios Gazeta até 31 de Março
Termina a 31 de Março o prazo para a entrega de trabalhos candidatos aos Prémios Gazeta de Revelação e de Imprensa Regional, instituídos pelo Clube de Jornalistas-Press Club.
O Prémio Revelação destina-se a jornalistas com menos de 30 anos de idade e que não estejam no exercício da profissão há mais de dois anos. O Prémio Nacional de Imprensa Regional está aberto a todos os órgãos de comunicação regionais cuja periodicidade seja pelo menos quinzenal. (...)».
«Prémio Orlando Gonçalves para jornalismo de investigação
As candidaturas ao Prémio Literário Orlando Gonçalves, este ano dedicado a trabalhos de jornalismo de investigação ou reportagem, estão abertas até 30 de Junho.
Tal como nos anos anteriores, a sétima edição do Prémio Literário Orlando Gonçalves visa incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa.
Cada autor pode concorrer com vários trabalhos, obrigatoriamente escritos em língua portuguesa, devendo os mesmos ser apresentados separadamente e com pseudónimos diferentes. É obrigatória a apresentação da carteira profissional de jornalista para admissão a concurso. (...)».
«Prémio distingue jornalistas corajosas
A International Women’s Media Foundation (IWMF) está a procurar nomeações para os seus galardões, o Prémio Coragem no Jornalismo e o Prémio Carreira de 2004. Os prémios visam distinguir apenas jornalistas do sexo feminino e serão entregues numa cerimónia a realizar em Outubro.
O Prémio Coragem no Jornalismo homenageia mulheres que tenham demonstrado uma excepcional força de carácter para prosseguir o seu trabalho em circunstâncias perigosas: sob pressão política, terror psicológico e outros obstáculos intimidantes.
Para este prémio são escolhidas três mulheres, que recebem uma escultura símbolo de liberdade e coragem e também um prémio monetário. (...)».
Nota: para mais informações visite a página "on-line" do Sindicato dos Jornalistas.
quarta-feira, março 17, 2004
Espanha na "mira" dos "media" nacionais
O e-mail do "para-jornalistas" recebeu esta semana o "desabafo" de um leitor deste blog, que considero pertinente publicá-lo aqui, por se tratar de um assunto que "atinge" os meios de comunicação, neste caso, o jornalismo radiofónico e televisivo, segundo este mesmo leitor; foi-me pedido que abordasse o assunto neste "blog", mas melhor do que as minhas palavras, parece-me mais interessante publicar um excerto das suas palavras, que poderão, igualmente, exprimir o pensamento de muitos outros cidadãos deste País.
«(...)
O que me chamou mais a atenção nestes últimos diz foi a excessiva cobertura dada à Espanha. Nunca me tinha algum dia passado pela cabeça que teria de ouvir alguém explicar como são os boletins de voto em Espanha, os passos que se dão para colocar uma cruz num pedaço de papel e por aí adiante. Parece-me excessivo por, em primeiro lugar, não ser espanhol (se cada vez que houvessem eleições num País da CE tivermos de gramar com todas as explicações acerca das formalidades eleitorais estaremos a cair no ridículo) e em segundo lugar, porque tenho quase a certeza de que mesmo que os atentados tivessem sido cá ou que algo tão relevante como o que se passou em Madrid esta semana se tivesse passado por terras Lusas, os chamados "nuestros hermanos" não dariam tanta cobertura ao nosso País. Achei todo o folclore ridículo e mais uma vez a demonstrar a subjugação a que estamos votados no que respeita ao País vizinho.
Para cúmulo ainda temos que gramar com um canal público de televisão (não irei fazer comentários aos privados pois esses não são financiados directamente por mim) a emitir reportagens e entrevistas, em directo ou pior ainda gravadas em que as entrevistas aos ditos "nuestros hermanos" não são nem legendadas nem dobradas. Acho isto estupidificante pois apesar de perceber o que lá foi dito (também não sou tão estúpido assim) não tenho que me sujeitar a ouvir peças em castelhano. Também sei inglês, percebo alguma coisa de francês, italiano e grego e não estou à espera que o meu serviço noticioso público lhe passe pela cabeça não traduzir comentários nestas línguas estando descansado e na certeza que alguma coisa irei apanhar.
Mais grave ainda é constatar que peças feitas por exemplo nos Açores (ao que sei ainda é português) são legendadas enquanto que as acima referidas não o foram.
Achei vergonhoso o que se tem passado na nossa televisão. Nunca tal tinha visto em nenhuma das muitas televisões estrangeiras que já vi. Penso que nunca verei uma televisão espanhola a fazer o mesmo que a nossa fez. Sinto-me vendido por meia dúzia de euros com a cara d'El-Rei.
Estas pequenas coisas ferem o meu orgulho nacional. Julgo não estar a ser demasiadamente nacionalista, embora ache que o nacionalismo é provavelmente aquilo que mais falta faz ao povo português. Note-se que não estou a falar em radicalismos!!! Apenas peço que me dignifiquem como cidadão deste País e que nos façamos dignificar no estrangeiro.
(...)».
«(...)
O que me chamou mais a atenção nestes últimos diz foi a excessiva cobertura dada à Espanha. Nunca me tinha algum dia passado pela cabeça que teria de ouvir alguém explicar como são os boletins de voto em Espanha, os passos que se dão para colocar uma cruz num pedaço de papel e por aí adiante. Parece-me excessivo por, em primeiro lugar, não ser espanhol (se cada vez que houvessem eleições num País da CE tivermos de gramar com todas as explicações acerca das formalidades eleitorais estaremos a cair no ridículo) e em segundo lugar, porque tenho quase a certeza de que mesmo que os atentados tivessem sido cá ou que algo tão relevante como o que se passou em Madrid esta semana se tivesse passado por terras Lusas, os chamados "nuestros hermanos" não dariam tanta cobertura ao nosso País. Achei todo o folclore ridículo e mais uma vez a demonstrar a subjugação a que estamos votados no que respeita ao País vizinho.
Para cúmulo ainda temos que gramar com um canal público de televisão (não irei fazer comentários aos privados pois esses não são financiados directamente por mim) a emitir reportagens e entrevistas, em directo ou pior ainda gravadas em que as entrevistas aos ditos "nuestros hermanos" não são nem legendadas nem dobradas. Acho isto estupidificante pois apesar de perceber o que lá foi dito (também não sou tão estúpido assim) não tenho que me sujeitar a ouvir peças em castelhano. Também sei inglês, percebo alguma coisa de francês, italiano e grego e não estou à espera que o meu serviço noticioso público lhe passe pela cabeça não traduzir comentários nestas línguas estando descansado e na certeza que alguma coisa irei apanhar.
Mais grave ainda é constatar que peças feitas por exemplo nos Açores (ao que sei ainda é português) são legendadas enquanto que as acima referidas não o foram.
Achei vergonhoso o que se tem passado na nossa televisão. Nunca tal tinha visto em nenhuma das muitas televisões estrangeiras que já vi. Penso que nunca verei uma televisão espanhola a fazer o mesmo que a nossa fez. Sinto-me vendido por meia dúzia de euros com a cara d'El-Rei.
Estas pequenas coisas ferem o meu orgulho nacional. Julgo não estar a ser demasiadamente nacionalista, embora ache que o nacionalismo é provavelmente aquilo que mais falta faz ao povo português. Note-se que não estou a falar em radicalismos!!! Apenas peço que me dignifiquem como cidadão deste País e que nos façamos dignificar no estrangeiro.
(...)».
sábado, março 13, 2004
«Não existe terrorismo por acaso»
No programa "Opinião Pública", da SIC, a 12 de Março, um dia depois dos ataques terroristas em Madrid, um telespectador que interviu telefonicamente no programa, chamou a atenção dos "media" para a necessidade de aprofundarem mais sobre a raízes do terrorismo, ou seja, e passo a citar uma das suas afirmações: «Não existe terrorismo por acaso»; e o mesmo telespectador adiantou, mais ou menos isto: «Porque os comentadores não reflectem sobre isso?».
Ora aqui está uma sugestão dirigida aos vários meios de comunicação, que, apesar de fazerem (e o terem feito outras tantas vezes) várias peças jornalísticas sobre as causas/origens/motivações do terrorismo, provavelmente não deram a esta matéria o mesmo destaque que dão a tantas outras;
Sem o querendo fazer aqui, até porque não é o lugar apropriado, publico algumas datas e informações que já fazem parte da história, e que poderão ajudar, de alguma forma, a compreendermos porque algumas das "coisas" acontecem no nosso mundo;
Da informação que disponibilizo a seguir, não quero transformar os Estados Unidos da América nos "maus" da civilização mundial, até porque, muitas das situações teriam de ser contextualizadas historicamente, como o período da "Guerra Fria", por exemplo, mas algumas das explicações que aquele telespectador procura poderão também encontrar-se nos acontecimentos abaixo referidos:
1953: Os Estados Unidos da América (EUA) derrubam o primeiro-ministro Mossadeq do Irão e instalam o Xá como ditador;
1954: Os (EUA) derrubam o presidente Arbenz, da Guatemala, democraticamente eleito – morreram 200 mil civis;
1963: Os EUA apoiam o assassínio do presidente Diem, do Vietname do Sul;
1963-1975: O exército dos EUA mata 4 milhões de pessoas no Sudoeste Asiático;
11 de Setembro de 1973: Os EUA organizam um Golpe de Estado no Chile, onde o presidente democraticamente eleito Salvador Allende é assassinado – como consequência, o ditador Augusto Pinochet instala-se no poder: no período que se seguiu, foram assassinados 5 mil chilenos;
1977: Os EUA apoia o governo militar de El Salvador – como consequência, morreram 70 mil salvadorenhos e quatro freiras americanas;
1980: Os EUA treinaram Osama Bin Laden e terroristas associados para matar soviéticos. A CIA dá-lhes 3 mil milhões de dólares;
1981: O administração de Ronald Reagan, presidente dos EUA, treina e financia os denominados "Contras", para actuarem na Nicarágua – em consequência, morreram 30 mil nicaraguenses;
1982: Os EUA dão a Saddam Hussein, presidente do Iraque, milhares de milhões de dólares em armamento para matar iranianos, na guerra que o Iraque travava com o Irão;
1983: A administração americana dá, secretamente, armas ao Irão para matar iraquianos;
1989: o agente da CIA, Manuel Noriega, e também presidente do Panamá, desobedece às ordens do governo americano – como consequência, os EUA invadem o Panamá e afastam o general Noriega do poder; resultado: morreram 3 mil civis panamianos;
1990: O Iraque, ainda sobre a presidência ditatorial de Saddam Hussein, invade o Kuwait com armas que lhe tinham sido vendidas pelos EUA;
1991: Os EUA invadem o Iraque para repor no poder o, igualmente, ditador do Kuwait;
De 1991 até 2002: aviões norte-americanos bombardearam, por várias vezes, o Iraque; resultado: as Nações Unidas calculam que 500 mil crianças iraquianas morreram devido a bombardeamentos e sanções impostas ao povo iraquiano;
1998: O presidente dos EUA, Bill Clinton, bombardeia uma alegada "fábrica de armamento" no Sudão (país fortemente islâmico) – veio a saber-se que a referida fábrica produzia "Aspirina";
20 de Abril de 1999: Os EUA fazem o maior bombardeamento, registado até então, no Kosovo, largando 22 mísseis sobre a zona residencial da vila de Bogutovac, perto de Kraljevo; das zonas atingidas, consta um hospital e uma escola primária – morreram, para além de militares, civis;
2000-2001: Os EUA dão ao Afeganistão, na altura liderado pelos "Talibans" de Osama Bin Laden, 245 milhões de dólares em "ajudas";
11 de Setembro de 2001: Osama Bin Laden usa o que aprendeu com agentes da CIA para assassinar 3 mil pessoas, nos ataques terroristas contra alvos civis nos EUA;
2003: OS EUA invadem o Iraque – para além dos milhares de mortos iraquianos que resultaram da acção, morreram, até à data, quase 300 militares norte-americanos, em solo iraquiano;
13 de Março de 2004: Quem nos dera a nós, comunicadores, saber o que ainda está para acontecer! No entanto, temos a responsabilidade de, imparcialmente e objectivamente, publicar, mostrar e falar da informação que está "para trás".
Ora aqui está uma sugestão dirigida aos vários meios de comunicação, que, apesar de fazerem (e o terem feito outras tantas vezes) várias peças jornalísticas sobre as causas/origens/motivações do terrorismo, provavelmente não deram a esta matéria o mesmo destaque que dão a tantas outras;
Sem o querendo fazer aqui, até porque não é o lugar apropriado, publico algumas datas e informações que já fazem parte da história, e que poderão ajudar, de alguma forma, a compreendermos porque algumas das "coisas" acontecem no nosso mundo;
Da informação que disponibilizo a seguir, não quero transformar os Estados Unidos da América nos "maus" da civilização mundial, até porque, muitas das situações teriam de ser contextualizadas historicamente, como o período da "Guerra Fria", por exemplo, mas algumas das explicações que aquele telespectador procura poderão também encontrar-se nos acontecimentos abaixo referidos:
1953: Os Estados Unidos da América (EUA) derrubam o primeiro-ministro Mossadeq do Irão e instalam o Xá como ditador;
1954: Os (EUA) derrubam o presidente Arbenz, da Guatemala, democraticamente eleito – morreram 200 mil civis;
1963: Os EUA apoiam o assassínio do presidente Diem, do Vietname do Sul;
1963-1975: O exército dos EUA mata 4 milhões de pessoas no Sudoeste Asiático;
11 de Setembro de 1973: Os EUA organizam um Golpe de Estado no Chile, onde o presidente democraticamente eleito Salvador Allende é assassinado – como consequência, o ditador Augusto Pinochet instala-se no poder: no período que se seguiu, foram assassinados 5 mil chilenos;
1977: Os EUA apoia o governo militar de El Salvador – como consequência, morreram 70 mil salvadorenhos e quatro freiras americanas;
1980: Os EUA treinaram Osama Bin Laden e terroristas associados para matar soviéticos. A CIA dá-lhes 3 mil milhões de dólares;
1981: O administração de Ronald Reagan, presidente dos EUA, treina e financia os denominados "Contras", para actuarem na Nicarágua – em consequência, morreram 30 mil nicaraguenses;
1982: Os EUA dão a Saddam Hussein, presidente do Iraque, milhares de milhões de dólares em armamento para matar iranianos, na guerra que o Iraque travava com o Irão;
1983: A administração americana dá, secretamente, armas ao Irão para matar iraquianos;
1989: o agente da CIA, Manuel Noriega, e também presidente do Panamá, desobedece às ordens do governo americano – como consequência, os EUA invadem o Panamá e afastam o general Noriega do poder; resultado: morreram 3 mil civis panamianos;
1990: O Iraque, ainda sobre a presidência ditatorial de Saddam Hussein, invade o Kuwait com armas que lhe tinham sido vendidas pelos EUA;
1991: Os EUA invadem o Iraque para repor no poder o, igualmente, ditador do Kuwait;
De 1991 até 2002: aviões norte-americanos bombardearam, por várias vezes, o Iraque; resultado: as Nações Unidas calculam que 500 mil crianças iraquianas morreram devido a bombardeamentos e sanções impostas ao povo iraquiano;
1998: O presidente dos EUA, Bill Clinton, bombardeia uma alegada "fábrica de armamento" no Sudão (país fortemente islâmico) – veio a saber-se que a referida fábrica produzia "Aspirina";
20 de Abril de 1999: Os EUA fazem o maior bombardeamento, registado até então, no Kosovo, largando 22 mísseis sobre a zona residencial da vila de Bogutovac, perto de Kraljevo; das zonas atingidas, consta um hospital e uma escola primária – morreram, para além de militares, civis;
2000-2001: Os EUA dão ao Afeganistão, na altura liderado pelos "Talibans" de Osama Bin Laden, 245 milhões de dólares em "ajudas";
11 de Setembro de 2001: Osama Bin Laden usa o que aprendeu com agentes da CIA para assassinar 3 mil pessoas, nos ataques terroristas contra alvos civis nos EUA;
2003: OS EUA invadem o Iraque – para além dos milhares de mortos iraquianos que resultaram da acção, morreram, até à data, quase 300 militares norte-americanos, em solo iraquiano;
13 de Março de 2004: Quem nos dera a nós, comunicadores, saber o que ainda está para acontecer! No entanto, temos a responsabilidade de, imparcialmente e objectivamente, publicar, mostrar e falar da informação que está "para trás".
sexta-feira, março 12, 2004
Terrorismo em Espanha: as imagens valem por mil palavras!
É, infelizmente, em situações dramáticas e de terror como as vividas ontem – 11 de Março de 2004 –, em Madrid, que o "olhar" dos fotojornalistas valoriza o trabalho desempenhado por aqueles profissionais da comunicação, levando a todo o mundo as imagens que, a maioria, preferia não ver nunca. Mas elas são reais e mostram a dureza e o sofrimento causado pelos ataques terroristas em várias estações e carruagens de comboio.
Algumas daquelas fotografias estão já disponíveis para visualização no "Banco de Imagens" deste "blog" e, uma parte delas, pela sua "brutalidade", poderão não ser aconselháveis à visualização dos "blogistas" mais susceptíveis.
É nestas situações que a célebre frase se aplica: "Uma imagem vale por mil palavras".
Nota: A imagens disponibilizadas neste "blog" foram recolhidas na edição "on-line" do diário espanhol "El Mundo" e são apenas uma parte das inúmeras fotografias que aquele jornal disponibiliza no endereço: www.elmundo.es/fotografia/2004/03/atentados
Algumas daquelas fotografias estão já disponíveis para visualização no "Banco de Imagens" deste "blog" e, uma parte delas, pela sua "brutalidade", poderão não ser aconselháveis à visualização dos "blogistas" mais susceptíveis.
É nestas situações que a célebre frase se aplica: "Uma imagem vale por mil palavras".
Nota: A imagens disponibilizadas neste "blog" foram recolhidas na edição "on-line" do diário espanhol "El Mundo" e são apenas uma parte das inúmeras fotografias que aquele jornal disponibiliza no endereço: www.elmundo.es/fotografia/2004/03/atentados
Horas de terror em Madrid
A edição "on-line" do diário espanhol "El Pais" colocou na web uma "animação" que explica a sucessão de todos os momentos dramáticos e de terror vividos na manhã do dia 11 de Março, na capital espanhola; para visualizar cliquem no endereço: www.elpais.es/fotogalerias/popup_animacion.html?xref=20040311elpepunac_2
Nota: os ataques em Madrid aconteceram, precisamente, dois anos e meio depois dos ataques terroristas em Nova Iorque. Coincidência?!
Nota: os ataques em Madrid aconteceram, precisamente, dois anos e meio depois dos ataques terroristas em Nova Iorque. Coincidência?!
quarta-feira, março 10, 2004
Promoção não é informação! - ponto final, parágrafo.
A semana passada, durante um programa de informação sobre o Euro 2004, transmitido pela RTP1, pensei, a determinada altura, estar a assistir a outra triste cena semelhante àquela que o presidente da Câmara de Marco de Canavezes, Avelino Ferreira Torres, protagonizou, dias antes, no "Jornal da Noite", na SIC, com o jornalista Paulo Camacho.
Desta vez, o protagonista de algumas palavras infelizes foi o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, um dos entrevistados do jornalista Carlos Daniel. Tudo porque Gilberto Madaíl não gostou da exibição de algumas reportagens emitidas durante o programa, pelo que recusou, por várias vezes, responder a uma questão colocada pelo jornalista, querendo falar a todo o custo, de forma, posso mesmo dizer, abusiva, a fim de defender-se do que não tinha gostado de ver nas referidas reportagens – a título de exemplo, uma das "peças jornalísticas" reportou que o Euro não vai chegar à zona Interior do País, e as consequências negativas que isso trará para aquelas regiões;
Palavra puxa palavra, a conversa entre Gilberto Madaíl e Carlos Daniel começou, por assim dizer, a "azedar", até que, para meu espanto – e de alguns telespectadores, certamente – Gilberto Madaíl não só começou por ser indelicado com o jornalista, como afirmou, notem bem, que o programa não estava a promover o Euro 2004, ao que o jornalista respondeu, e muito bem: «Não estou aqui para promover o Euro, mas para fazer perguntas»; o meu aplauso (o nosso aplauso!) ao jornalista, de quem não seria de esperar outra coisa; em resposta a Carlos Daniel, Gilberto Madaíl tem a seguinte (triste) afirmação: «Não participo em mais nenhum programa que não seja para promover e divulgar o Euro»;
Para bom entendedor, as palavras atrás referidas são suficientes para perceber onde quero chegar, mas não termino sem uma nota:
Já chega de "achincalharem" o «bom» jornalismo que se faz em Portugal e de tratarem mal alguns «bons» jornalistas (o mau, que também existe, não deve ser tomado pelo todo, como, de resto, se constata em todas as profissões); Afinal, nós, comunicadores, não "ensinamos" aos entrevistados como deverão desempenhar o seu trabalho, então porque teimam, alguns deles, em ensinar-nos o nosso?! Ponto final, parágrafo.
Desta vez, o protagonista de algumas palavras infelizes foi o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, um dos entrevistados do jornalista Carlos Daniel. Tudo porque Gilberto Madaíl não gostou da exibição de algumas reportagens emitidas durante o programa, pelo que recusou, por várias vezes, responder a uma questão colocada pelo jornalista, querendo falar a todo o custo, de forma, posso mesmo dizer, abusiva, a fim de defender-se do que não tinha gostado de ver nas referidas reportagens – a título de exemplo, uma das "peças jornalísticas" reportou que o Euro não vai chegar à zona Interior do País, e as consequências negativas que isso trará para aquelas regiões;
Palavra puxa palavra, a conversa entre Gilberto Madaíl e Carlos Daniel começou, por assim dizer, a "azedar", até que, para meu espanto – e de alguns telespectadores, certamente – Gilberto Madaíl não só começou por ser indelicado com o jornalista, como afirmou, notem bem, que o programa não estava a promover o Euro 2004, ao que o jornalista respondeu, e muito bem: «Não estou aqui para promover o Euro, mas para fazer perguntas»; o meu aplauso (o nosso aplauso!) ao jornalista, de quem não seria de esperar outra coisa; em resposta a Carlos Daniel, Gilberto Madaíl tem a seguinte (triste) afirmação: «Não participo em mais nenhum programa que não seja para promover e divulgar o Euro»;
Para bom entendedor, as palavras atrás referidas são suficientes para perceber onde quero chegar, mas não termino sem uma nota:
Já chega de "achincalharem" o «bom» jornalismo que se faz em Portugal e de tratarem mal alguns «bons» jornalistas (o mau, que também existe, não deve ser tomado pelo todo, como, de resto, se constata em todas as profissões); Afinal, nós, comunicadores, não "ensinamos" aos entrevistados como deverão desempenhar o seu trabalho, então porque teimam, alguns deles, em ensinar-nos o nosso?! Ponto final, parágrafo.
"para-jornalistas" já tem "Banco de Imagens"
Doze dias depois, regresso para "noticiar" uma novidade deste "blog"; para aqueles que ainda não deram por ela, desde ontem que está disponível um "Banco de Imagens" do "para-jornalistas".
Trata-se de um álbum que aloja uma variedade de fotografias e imagens. Algumas delas estão associadas ao fotojornalismo, outras são de carácter geral, como é exemplo a banda desenha, porque este espaço também quer viver do mundo imaginário... Afinal, ele faz parte da nossa vida!
O "Banco de Imagens" é também um álbum aberto a todos os seus visitantes; as sugestões deverão ser enviadas para o e-mail deste "blog".
Até breve.
Trata-se de um álbum que aloja uma variedade de fotografias e imagens. Algumas delas estão associadas ao fotojornalismo, outras são de carácter geral, como é exemplo a banda desenha, porque este espaço também quer viver do mundo imaginário... Afinal, ele faz parte da nossa vida!
O "Banco de Imagens" é também um álbum aberto a todos os seus visitantes; as sugestões deverão ser enviadas para o e-mail deste "blog".
Até breve.
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